Movimento orgânico lança entidade que vai atuar em nível nacional Destaque

Escrito por  Out 03, 2019

O movimento ligado à agricultura orgânica no Brasil vai lançar, nesta quinta-feira (3) em São Paulo, uma entidade de nível nacional para representar o setor. Os membros do Instituto Brasil Orgânico (IBO) atuarão principalmente em Brasília, na consolidação, no fomento e na sugestão de políticas públicas voltadas ao cultivo sustentável de alimentos.

Esse trabalho será feito “de forma bastante técnica e também política, subsidiando parlamentares e outros interessados com informações sobre agricultura e pecuária orgânicas”, comenta ao blog um dos idealizadores do Instituto Brasil Orgânico, o engenheiro agrônomo José Pedro Santiago, que atua há mais de três décadas no segmento. Santiago acrescenta que a sede da entidade será em Brasília, pela proximidade com o centro de decisões de políticas públicas e agrícolas do País.

A assembleia inaugural e que lançará o Instituto Brasil Orgânico ocorrerá nesta quinta-feira, no Parque da Água Branca, na zona oeste da capital, no anfiteatro do parque, a partir das 17h (Av. Francisco Matarazzo, 455).

A data escolhida é bastante significativa para o movimento orgânico brasileiro: 3 de outubro é o aniversário da precursora da agroecologia no Brasil, a engenheira agrônoma dra. Ana Maria Primavesi, que exatamente neste dia completará 99 anos e receberá uma homenagem por meio de sua filha, Carin Primavesi.

No mesmo dia, a geógrafa Virgínia Knabben, que escreveu a biografia de Ana Primavesi, lançará o site oficial da engenheira agrônoma.

Santiago conta que, até o momento, há uma lista de pelo menos 200 interessados, entre pessoas físicas, jurídicas e entidades – como o Instituto de Defesa do Consumidor (Idec) -, em se associar ao IBO e que devem estar presentes no evento para assinar sua ficha de filiação.

O Instituto Brasil Orgânico será formado por 21 conselheiros, escolhidos entre várias pessoas com anos de “janela” no movimento ligado à agropecuária sustentável, como Rogério Dias, que foi coordenador de Agroecologia do Ministério da Agricultura – “O Rogério, hoje, já atua bastante no Congresso Nacional, em favor da agricultura orgânica”, observa Santiago –; Romeu Leite, da Vila Yamaghishi Orgânicos; Marcelo Laurino, secretário executivo da Comissão da Produção Orgânica do Estado de São Paulo; Fábio Ramos, presidente da Agrosuisse; Alexandre Harkaly, diretor executivo do IBD Certificações (a maior certificadora nacional de orgânicos), Joe Valle, produtor orgânico na Fazenda Malunga, no DF, além do ator global e produtor de orgânicos Marcos Palmeira e da apresentadora e influencer Bela Gil, 100% entusiasta e difusora de alimentos orgânicos.

“O presidente do IBO será escolhido entre esses 21 conselheiros”, explica Santiago. Já os conselheiros serão escolhidos pelos sócios. Para se associar, há taxas a partir de R$ 50 até R$ 1 mil por mês, como “sócio mantenedor”. “Há também o sócio colaborador, por exemplo, jornalistas que queiram difundir os orgânicos”, diz Santiago.

Com todo esse time e mais as contribuições dos associados, Santiago comenta que o objetivo é “reunir informações técnicas, econômicas e de mercado para subsidiar o movimento orgânico em âmbito nacional”. “Vamos também fazer um ‘corpo a corpo’ com parlamentares em Brasília em favor da agricultura orgânica”, acrescenta o agrônomo, que exemplifica: “Nesta época em que se aprovam agrotóxicos a rodo, queremos ser o contraponto, apontar outros caminhos mais sustentáveis”, diz. “Vamos atuar com mais conhecimento e menos xingamento”, diz.

Ainda para Santiago, este “é o momento certo” para a criação de uma entidade nacional que represente o movimento orgânico e lute por ele. Atualmente, conforme cadastro do Ministério da Agricultura, o Brasil conta com 19 mil produtores orgânicos cadastrados, com crescimento de mais de mil produtores por ano. Em 2018, foram 1,5 mil novos agricultores. Outro bom “termômetro” para comprovar a maturidade do setor é a quantidade de visitantes da principal feira voltada a produtos orgânicos do País, a Biofach América Latina: 44 mil este ano. Além disso, o Brasil já conta com 957 feiras orgânicas. Finalmente, o Brasil está entre os dez maiores exportadores de alimentos orgânicos do mundo, num mercado mundial que movimenta US$ 90 bilhões por ano.

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