O CEO da Santa Clara Agrociência, João Pedro Cury, no escritório da emrpesa em Ribeirão Preto (SP) O CEO da Santa Clara Agrociência, João Pedro Cury, no escritório da emrpesa em Ribeirão Preto (SP) Ricardo Benichio/Ed. Globo.

Conferência em Ribeirão Preto debate o agronegócio do terceiro milênio Destaque

Escrito por  Jul 04, 2019

Em entrevista, o CEO da Santa Clara Agrociência fala sobre o evento internacional promovido pela empresa a partir desta quarta e fala sobre as tendências do setor

Com atuação na área de nutrição de plantas, adjuvantes e biocontrole, a Santa Clara Agrociência vem se destacando no Brasil e no mercado externo com produtos que prometem extrair produtividade máxima de plantas de diversas culturas. A partir de hoje e até amanhã, a empresa, presente em mais de 30 países da América Latina, Ásia e Europa, promove sua 5ª Conferência Internacional em Ribeirão Preto (SP), onde está sediada.

Desde o ano passado a Santa Clara vem firmando parcerias com instituições de ensino e de pesquisa. De acordo com o CEO da empresa, o engenheiro agrônomo João Pedro Cury, a parceria com a Embrapa, firmada em 2018 e que deve ganhar um aditivo no evento deste ano, já identificou micro-organismos e extratos de plantas que tem ação nematicida. “Temos 19 extratos de fungos e plantas com ação nematicida acima de 95% e 38 com grande potencial. Isso é muito alto até para laboratório”, diz.

Também neste ano, deve ser firmada uma parceria com a Esalq-USP na área de desenvolvimento produtos à base de óleos essenciais de plantas para o controle de pragas de importância agrícola.


Nesta entrevista realizada por telefone, o diretor executivo da empresa explica como a Santa Clara está se posicionando no mercado e fala da importância do biocontrole no futuro do agronegócio global. A tendência, ele acredita, é de o setor utilizar cada vez menos agroquímicos e buscar soluções inovadoras e ambientalmente corretas.

GR: O que vocês estão esperando para a conferência deste ano?
João Pedro Cury: O evento vai receber mais de 300 pessoas de aproximadamente 20 países. A conferência é um evento com convidados que abrangem todos os setores do agronegócio no Brasil e no mundo. Teremos produtores, revendas e cooperativas, pesquisadores e consultores, ou seja, virão representantes de todas as áreas do agronegócio. O foco principal da conferência é inovação e futuro. Nós teremos uma troca de conhecimento na área das tendências sobre os negócios do futuro, vamos falar sobre o agronegócio do terceiro milênio e também vamos mostrar as inovações do grupo em relação à agricultura. Teremos formadores de opinião e pesquisadores de várias instituições. Serão dois dias de dinâmicas que demonstram o que vem no futuro como drones e simulação de pulverização em 3D por exemplo que mostram a qualidade da tecnologia de aplicação.

GR: Como está o mercado de insumos agrícolas?
Cury: Uma das preocupações é que o mercado está migrando. A Santa Clara é especialista em inovações, na solicitação de uma série de patentes e em produtos utilizados para a nutrição da planta, mas que propiciam à planta uma proteção aos ataques de pragas e doenças. O mercado está migrando para a redução no consumo de agroquímicos, seja pela busca de moléculas com maior apelo ambiental, seja com a melhor forma de utilização. A empresa sempre se direcionou para os fertilizantes que chamamos de multifuncionais. Ele funciona principalmente para nutrir, mas torna a planta mais resistente. O outro ponto é uma parte de adjuvantes. Temos uma linha muito forte que está sendo ampliada e que melhora a performance das pulverizações e reduz o volume de água, por exemplo.

O agroquímico não eleva a produção, apenas deixa não perder. Já o fertilizante especial maximiza a produção"
JOÃO PEDRO CURY
GR: A Santa Clara vem se destacando na exportação de seus produtos. Como isso aconteceu?
Cury: Desenvolvemos uma série de patentes com foco de comercialização internacional. Também temos produtos sem patente, mas com apelo muito inovador e de futuro na agricultura como, por exemplo, o protetor solar, que protege a planta do excesso do sol e de problemas climáticos. Esse tem sido um produto de muita aceitação mundial. Basicamente as exportações estão relacionadas a fertilizantes especiais e multifuncionais, com a função de nutrição, mas que acaba tendo apelo na área de proteção solar e no aumento da capacidade de resistência das plantas.

GR: Qual é a participação do mercado externo nas vendas?
Cury: Hoje esse mercado representa 11% do nosso faturamento, mas neste ano a exportação deve crescer mais de 150%. Vamos dobrar a proporção da participação do mercado internacional dentro da empresa, devemos chegar a pelo menos 20%.

GR: A que você atribui o crescimento?
Cury: A tudo o que temos implantado nos últimos oito anos em termos de registro, prospecção de clientes, contratação de profissionais e desenvolvimento do mercado. Outro fator é a alta do dólar, que tornou nosso produto muito competitivo. Quando eu vendo com o dólar e o euro altos eu consigo ter competitividade fora do país. Uma empresa da Colômbia que importa um produto em euro da Espanha muitas vezes prefere importar nossa tecnologia do Brasil.

GR: O manejo em conjunto com os químicos enfraquece os fertilizantes especiais, produtos de biocontrole e adjuvantes?
Cury: Não, a associação com os agroquímicos é fundamental exatamente para que aumente a performance e melhore a qualidade da pulverização, por exemplo. Nós fazemos uma série de testes prévios, seja de pesquisas, seja de compatibilidade. Hoje a empresa possui uma biblioteca de compatibilidade de toda a nossa linha de produtos com uma série de outros produtos, sejam agroquímicos, sejam fertilizantes normalmente usados no mercado. Fazemos uma prévia laboratorial pra minimizar os efeitos negativos da compatibilidade.

GR: Como é o trabalho da Santa Clara com os agricultores para a produção de ativos?
Cury: Estamos criando um projeto que provavelmente vai começar no ano que vem. Queremos desenvolver, mediante parcerias, uma linha de óleos essenciais de extratos de plantas. Para isso vamos precisar que o produtor nos forneça a planta para que a indústria extraia os ativos com função de inseticida, fungicida e outros. A ideia é formular esses ativos e retornar ao sistema do agricultor na forma de um produto natural pra o controle de pragas e doenças. Queremos conceder algum equipamento de extração de óleo para que o produtor nos forneça o óleo, não a planta. Assim, o valor agregado será maior e eu vou transportar exatamente o que necessito.

O Brasil tem capacidade de aumentar muito a produtividade sem necessidade de aumentar o uso da terra"
JOÃO PEDRO CURY
GR: Fertilizantes especiais e produtos de biocontrole são mais caros que os químicos. É possível diminuir o preço?
Cury: O produto vem com um valor um pouco mais agregado, mas ele se torna altamente competitivo. É uma tendência. Uma grande escala dos herbicida e formicidas químicos permite que eles tenham um custo bem baixo, ainda mais com a entrada dos grupos asiáticos. O agroquímico vai permanecer por um bom tempo com um preço mais acessível, mas o agricultor já está vendo os benefícios de curto, médio e longo prazo tanto na utilização de fertilizantes especiais quanto nessa parte de biocontrole.

GR: Fertilizantes especiais aumentam a produtividade?
Cury: Na verdade, o agroquímico não eleva a produção, apenas deixa não perder. Já o fertilizante especial maximiza a produção. A genética da soja é capaz de produzir mais de 100 sacas por hectare. Hoje nós produzimos em média uma faixa de 50. Você imagina quanto essa genética pode produzir. É isso que o Brasil está buscando: não utilizar mais áreas de terra ou utilizar áreas de pasto degradado, mas não desmatar mais floresta e aumentar sua produtividade. O Brasil tem capacidade de aumentar muito a produtividade sem necessidade de aumentar o uso da terra.

GR: Como você enxerga a pressão do mercado consumidor por produtos menos tóxicos?
Cury: Hoje eu estou mais preocupado em deixar um legado da empresa a longo prazo do que propriamente onde vamos chegar em termos de faturamento e posição no mercado. A questão socioambiental é fundamental. O mercado internacional tem sido o fator de mudança no Brasil, com a exigência de produtos rastreados, de produção com menor número de aplicações ou até sem aplicações de agroquímicos, produtos de maior qualidade que incentivam o pequeno e o médio produtor. Isso está vindo dos mercados consumidores. Como o Brasil quer se tornar o maior produtor de alimentos do mundo, ele está direcionando toda a sua cadeia com foco no mercado internacional. Por isso a área de biocontrole será o projeto de maior interesse e de maior sucesso dentro do grupo. É onde eu vincular todas as áreas. Eu vou incentivar o produtor a fornecer a matéria-prima garantindo preço e seguridade e retornar ao meio ambiente uma molécula muito mais amigável, de um apelo ambiental e sustentável muito grande.

 

 

Fonte: Revista Globo Rural.

    1. Mais vistas
    2. Destaques
    3. Comentários

    Calendário

    « Outubro 2019 »
    Seg. Ter Qua Qui Sex Sáb. Dom
      1 2 3 4 5 6
    7 8 9 10 11 12 13
    14 15 16 17 18 19 20
    21 22 23 24 25 26 27
    28 29 30 31