Márcio Sette Fortes, diretor da Sociedade Nacional de Agricultura. Márcio Sette Fortes, diretor da Sociedade Nacional de Agricultura. Foto: SNA

SNA analisa efeitos da peste suína nas exportações brasileiras para a China Destaque

Escrito por  Jun 19, 2019

A epidemia da peste suína africana na China deverá ocasionar, no curto prazo, efeitos indiretos para o Brasil, não só em relação às exportações de carne suína, mas também no que diz respeito à demanda por soja. A afirmação é do diretor da Sociedade Nacional de Agricultura (SNA) e professor do IBMEC, Márcio Sette Fortes.

“É preciso considerar que, de um rebanho suíno de quase 700 milhões de animais, se estimam perdas que deverão variar entre 140 e 210 milhões de suínos, o que, por conseguinte, reduzirá a demanda de ração para alimentá-los”, disse Fortes.

Segundo ele, haverá, por necessidade, contração da importação chinesa de soja, já que a commodity é utilizada na produção da ração. “Essa redução das compras chinesas do grão atinge a Balança Comercial brasileira, tendo em vista se tratar do principal produto de nossa pauta exportadora”, destacou.

Habilitação

No médio e longo prazo, Fortes afirmou que há boas possibilidades de ganhos para o produtor brasileiro de carne suína, e também de outras carnes, “mas isso está ligado à habilitação das unidades produtoras”.

“Não são processos simples, e prova disso é o ainda restrito número de unidades que estão aptas a exportar para o mercado chinês”, observou o diretor da SNA.

A China vem garantindo a quase totalidade do abastecimento com produção interna, mas a queda do rebanho suíno chinês, segundo Fortes, poderá sinalizar algo de bom.

“Não por coincidência, recentemente a ministra Tereza Cristina, da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, esteve em viagem pela Ásia, buscando estreitar os laços comerciais com a China e outros países da região, por meio da tentativa de habilitar mais 70 frigoríficos brasileiros”.

Fortes informou que, em abril desse ano, a China, incluindo Hong Kong, comprava cerca de 45% da carne suína exportada pelo Brasil, sendo o principal importador. “Isso deve aumentar, se considerarmos o ciclo de cerca de um ano necessário entre a gestação e o abate do suíno”.

Ao defender a habilitação de frigoríficos para exportação para o mercado chinês, o diretor da SNA destacou o desempenho dos frangos. “Desde fevereiro, as exportações brasileiras de frango para a China superaram aquelas direcionadas para o maior comprador, que é a Arábia Saudita”, disse.

O Brasil é o maior exportador mundial de frangos, ocupando cerca de 30% do mercado mundial.

SNA

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