Brasil precisa avançar em informação e marketing para conquistar mercado global de orgânicos Destaque

Escrito por  Mar 19, 2020

Após visita à feira Biofach 2020, em Nuremberg, na Alemanha, a diretora da Sociedade Nacional de Agricultura (SNA), Sylvia Wachsner, disse que o Brasil precisa avançar muito em estratégias de informação e marketing, e também em tecnologia, para garantir maior presença no mercado global de alimentos orgânicos.

“No Brasil contamos com uma biodiversidade variada. Muitas espécies nativas podem contribuir com nutrientes e aplicações medicinais na alimentação humana. Mas para serem reconhecidas, garantindo demanda no mercado nacional e internacional, precisam de uma estratégia a ser construída pelo setor público e privado, no longo prazo”, ressaltou Sylvia.

Segundo ela, a simples comercialização de frutas diferenciadas como umbu da Caatinga, pequi, bacuri etc., não é o suficiente. “É preciso colocar os produtos no estande da feira, mas antes de tudo é fundamental construir uma política de informações que explique o valor nutricional e as propriedades destas frutas, que fale dos biomas onde são produzidas, da sustentabilidade e da característica familiar dos produtores rurais envolvidos”.

Nesse contexto, Sylvia citou como exemplo o Peru. “Há anos o país investe em informações, marketing, tecnologia e capacitação das empresas. Sua presença em feiras internacionais como a Biofach cresce a cada ano e a “Super Foods Peru” virou marca e referencial para produtos como o camu camu, nozes e castanhas, quinoa, lucuma, maca e sacha inchi, conhecidos e consumidos globalmente”.
Dados oficiais

Além disso, a diretora da SNA criticou a falta de informações a respeito do mercado brasileiro de orgânicos e acrescentou que essa questão dificulta a entrada do País no comércio global. “Quanto exportamos? É difícil dizer. O governo não disponibiliza esses dados, mas nossos vizinhos Peru, Argentina e Chile oferecem estatísticas e continuam a crescer e a capturar mercado”, disse.

Nesses países, acrescentou Sylvia, “são as cooperativas e as pequenas e médias empresas que colocam seus produtos orgânicos no exterior”.
Inovações

Na Biofach 2020, a coordenadora do Centro de Inteligência em Orgânicos da SNA (CI Orgânicos) conheceu as novidades e inovações do setor orgânico mundial e avaliou o espaço que o Brasil poderá ocupar neste mercado que movimenta mais de 100 bilhões de euros ao ano.

Na ocasião, Sylvia percebeu que a demanda por soja orgânica, ervilhas, lentilhas, favas, grãos de bico e outras leguminosas está acompanhando o crescimento do mercado de produtos veganos/vegetarianos e a popularidade dos alimentos produzidos à base de plantas (plant based foods).

Porém, observou a especialista, “há desafios na produção destas leguminosas, pois na agricultura orgânica não é permitido o uso de insumos sintéticos. Mas com pesquisa e tecnologia podemos avançar”.
Jaca e cânhamo

No segmento de produtos à base de plantas, a jaca foi apresentada na feira como substituta da carne em versões defumada ou barbecue. “Seria esta uma oportunidade para o Brasil?”, questionou Sylvia.

Segundo ela, outro produto que começa a ganhar amplo espaço é o cânhamo (hemp), utilizado em alimentos como snacks e  cosméticos.

“Na Europa, em comparação com os Estados Unidos, a entrada ainda é tímida, devido a dificuldades regulatórias, mas mesmo assim, uma empresa europeia, produtora de óleo de semente de cânhamo orgânico, foi uma das selecionadas pela Biofach entre as ganhadoras da categoria de produtos inovadores”.

A feira também apresentou um novo tipo de queijo italiano, elaborado a partir da fermentação de amêndoas e castanhas de caju, com adição de água e mínima quantidade de sal, sem aditivos e conservantes.
O evento

Reunindo este ano mais de 3.700 expositores de 110 países e público de 47.000 compradores, a Biofach da Alemanha é considerada a maior feira de negócios do setor orgânico do mundo. Além de promover e comercializar produtos alimentícios, o evento organiza uma feira paralela de cosméticos orgânicos e artigos de higiene.

A Biofach inclui ainda em sua programação um congresso que debate temas de interesse do setor. Em sua última edição, foram abordados paineis sobre “Soluções inovadoras de embalagens,” “Vegan 2.0”, “Variedades polinizadas abertas”, “Agricultura regenerativa” e outros assuntos,  com destaque especial para discussões acerca da importância e da escassez dos recursos hídricos.

O Brasil esteve presente ao evento com indústrias de alimentos orgânicos e cooperativas de agricultura familiar no estande do Ministério da Agricultura e da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex).

 

Equipe SNA

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